Hey, what`s Up, lions! Eu sou Gabriell Stevenson historiador, apologista e youtuber.
De acordo com o evangelho de João 2:1, Jesus e seus discípulos participaram de uma festa de casamento em Caná da Galileia, onde realizou seu primeiro milagre, transformando água em vinho (Jo 2:11).
Geograficamente, os arqueólogos ainda discutem se a sua localização era em Kefar Kanna, que fica a 5 km de Nazaré, ou em Khirbt Kana, a mais de 12 km de Nazaré.
Mas seja em um lugar ou outro, o que muitos cristãos ainda se perguntam é: Que tipo de vinho foi aquele que Jesus criou a partir da água? (Jo 2:9,10)
De um lado estão aqueles que, baseando-se no senso comum atual, dizem que o vinho criado por Jesus só poderia ter sido o Vinho Velho, ou seja, aquele completamente fermentado e produzido a partir de uma excelente safra de uvas.
E de outro lado estão aqueles que acreditam que é muito mais provável que Jesus tenha produzido o Vinho Novo, que de acordo com o Léxico Grego de Louw e Nida (p. 71), um dos melhores que temos em português, era o puro suco de uva elaborado recentemente.
Contudo, não podemos simplesmente chegar a uma conclusão levando em conta unicamente a letra fria do texto de João 2 e nos baseando meramente no senso comum atual, muito menos em preferências pessoais.
Devemos considerar o devido contexto bíblico, histórico e cultural por trás da narrativa do milagre nas bodas de Caná. Apenas assim é que poderemos compreender adequadamente o que de fato aconteceu naquela festa.
No mundo judaico, as festas de casamento duravam, ao todo, 7 dias. Um costume observado desde os tempos do Antigo Testamento (Jz 14:12), e de acordo com Craig Keener, renomado teólogo, professor e pesquisador da história e costumes do Novo Testamento, era extremamente comum que os anfitriões convidassem o maior número possível de pessoas, sobretudo hóspedes distintos como os rabinos (Histórico Cultural do NT, Craig Keener, pg. 277).
E com uma festa tão longa e com tantos convidados, seria considerada uma grande gafe deixar acabar a comida e o vinho antes do fim da celebração. Por isso, se fazia necessária a figura do Mestre-Sala (Jo 2:8) que, entre outras funções, era o responsável pela distribuição da comida e do vinho.
Mas como sabemos, o vinho daquela festa em Caná da Galileia acabou (Jo 2:3), o que pode ser explicado pelo fato de que o vinho era um produto relativamente escasso naquela região, de acordo com a própria literatura rabínica (ver: “Galilee”: The Jewish Encyclopedia).
E levando em consideração o contexto judaico daquela época e a presença de rabinos, o Dr. Keener nos adverte que o Mestre-Sala possuía o nobre dever de evitar que houvesse excessos no consumo durante a festa e que, por isso, é bastante improvável que a embriaguez fizesse parte das festas de casamento e outras celebrações (Histórico Cultural do NT, Craig Keener, pg. 278).
No mundo judaico antigo, a embriaguez era vista como selvageria e tolice (Mishneh Torah, Rest on a Holiday, 6:21) e que o consumo de Vinho Velho produz toda sorte de problemas, lamentos e a maioria dos pecados (Sanhedrin, 70b:1).
Além disso, sabiam muito bem que a embriaguez é condenada em diversas porções da bíblia, fato que observamos não só no Antigo, mas também no Novo Testamento (Dt 29:19,20; Pv 23:20; 1Co 6:10).
Dr. Keener demonstra que a principal forma de evitar que os judeus ficassem bêbados durante uma festa como aquela, era diluir uma parte de vinho para duas ou três partes de água; uma prática, aliás, que também acompanhava o povo judeu do primeiro século durante as suas refeições diárias. (Histórico Cultural do NT, Craig Keener, pg. 212, 278, 638).
O Talmude, obra que trata das tradições do judaísmo entre 200 a.C. até 200 d.C., também registra com todas as letras que naqueles tempos não era comum que as pessoas consumissem vinho puro (Pesachim 108 b:2).
O típico costume dos judeus era diluir o vinho em grandes quantidades de água dependendo do teor alcoólico original do vinho (Shabbat 76b:7, 77a:1 e 3; Pesahim 108b:2, 3) para que ele pudesse ser moralmente consumido.
Além disso, a Enciclopédia Judaica aponta para o fato de que os galileanos eram conhecidos por serem rigorosos na observância dos costumes religiosos (ver: “Galilee”: The Jewish Encyclopedia).
Portanto, é histórica e culturalmente impreciso afirmar que os convidados das Bodas de Caná em João 2 estivessem consumindo Vinho Velho puro e estivessem se embriagando ou correndo um risco real de embriagar-se.
A embriaguez só ocorreria se não houvesse água suficiente para diluir todo aquele vinho conforme ele fosse fermentando ao longo dos dias da festa, mas sabemos com total certeza que existia água em abundância (Jo 2:7).
Se Jesus realmente transformou a água em Vinho Velho, isto é, completamente fermentado, esse produto teria de passar pelo mesmo processo de diluição em grandes partes de água a fim de poder ser abençoado (ver: “Wine”: The Jewish Encyclopedia), o que também subtrairia o seu efeito intoxicante e evitaria que os convidados pudessem ficar bêbados nos dias restantes da festa.
Porém, parece ser bem provável que o “bom vinho” produzido por Jesus tenha sido o Vinho Novo, isto é, o suco recém espremido da fruta (Léxico Grego de Louw e Nida, p. 71) e que iria naturalmente fermentar ao longo daqueles dias e, inevitavelmente, começaria a ser diluído em água.
A primeira razão para crermos nisso é que a palavra grega traduzida por “bom” em João 2:10 é (καλος) kalos e que literalmente significa algo “louvável” e que está ligado a uma “qualidade moral positiva” (Léxico Grego, Louw e Nida, p.661).
Sendo assim, se considerarmos o contexto judaico do primeiro século, é totalmente seguro admitirmos que Jesus tenha produzido Vinho Novo, ainda não fermentado.
A segunda razão é que seria mais natural servir primeiro o Vinho Novo, pois era o mais saboroso ao paladar, tinha sua doçura preservada e poderia ser consumido mais livremente.
Mas conforme ia fermentando ao longo dos dias, precisava ser diluído em água, processo que prejudicava o seu sabor, o seu aroma e a sua cor, tornando-o, desse modo, num “vinho inferior”, de menor qualidade.
E a terceira razão é que os empregados da festa não se assustaram com o pedido de Jesus em encher as talhas com bastante água, nem se mostraram relutantes.
O motivo disso é que era muito comum ferver água e produzir vinho não alcoólico a partir de uvas passas (Enciclopédia Histórica da Vida de Jesus, pg. 193). E eles podem ter pensado que Jesus faria exatamente isso.
Naturalmente falando, essa seria a solução perfeita. Mas Jesus surpreende a todos realizando o seu primeiro milagre.
E também não podemos nos esquecer do fato de que Jesus jamais estaria participando ativamente de uma festa regada a embriaguez, que era enfaticamente reprovada por Deus (Pv 23:20) e muito menos iria contribuir para uma festa assim, uma vez que a embriaguez é um grave pecado (1Co 6:10).
Mas se desviar do mal é uma atitude de verdadeira sabedoria daqueles que temem ao Senhor (Pv 14:16; 1Ts 5:22).
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