A verdade é que o texto original da bíblia, seja em hebraico, no Antigo Testamento, ou em grego, no Novo Testamento, não diz em canto algum que o nome do diabo era Lúcifer. Na verdade, Lúcifer nem sequer é um nome próprio.
A confusão de achar que o nome do diabo era Lúcifer se iniciou no século V, quando São Jerônimo, um dos grandes doutores da igreja católica, traduziu as Escrituras para o latim e decidiu substituir a palavra hebraica Heylel pela palavra latina Luciferus, ou Lúcifer, ambas com o mesmo significado de “portador da luz” ou até mesmo “estrela da manhã”.
Hoje em dia, poucas bíblias ainda utilizam a tradição da bíblia latina de São Jerônimo para traduzirem Heylel por Lúcifer, como é o caso da Almeida Corrigida Fiel e a King James.
Em roma, a palavra Lúcifer também era uma forma de se referir ao planeta Vênus, que brilha no céu antes de todas as estrelas, enquanto ainda é dia. Mas não se confunda. O planeta já possuía o nome de Vênus e Luciferus era apenas uma força de expressão ou, podemos dizer, uma espécie de apelido para o planeta.
E você sabia que Lúcifer, apesar de originalmente não ser um nome próprio, passou a ser utilizado como um nome cristão bastante comum durante a Alta Idade Média até o século IX? Pois é, meus amigos. Talvez o caso mais famoso tenha sido do bispo Lúcifer Calaritano que viveu no século IV e foi um ferrenho opositor à heresia do arianismo. Após sua morte, também foi reconhecido como santo da igreja católica e até recebeu uma capela em sua homenagem em Cagliari, uma comuna italiana.
Continuando, Heylel aparece uma única vez em toda a bíblia sagrada, no texto de Isaías 14:12, onde podemos ver uma profecia feita contra o rei da babilônia, mas que também é comumente compreendida como uma referência a queda do próprio diabo.
E concluímos pelas Escrituras que, antes de sua rebelião contra Deus, o diabo era um querubim ungido, considerado o modelo da perfeição entre os seres angelicais (Ez 28:12-19). Desse jeito, chamá-lo de Heylel, ou “estrela da manhã”, parece ser muito apropriado.
Após a sua queda, no entanto, o que parece é que esse querubim rebelde perdeu o título de Heylel, em hebraico ou de Lúcifer, em latim. E passou a ser conhecido como diabo, satanás e outros nomes horríveis.
Já no Novo Testamento, que foi escrito em grego, não encontramos uma palavra equivalente para Heylel, mas podemos observar a expressão “estrela da manhã” ou “estrela da alva”, que poderia ser facilmente traduzida por Lúcifer, sendo utilizada em Apocalipse 22:16, em referência ao próprio Senhor Jesus.
Ou seja, Lúcifer, que originalmente não é um nome próprio, como já sabemos, é uma espécie de título que o próprio Senhor Jesus atribuiu a si mesmo. Logo, ser chamado de Lúcifer, ou Luciferus em latim, não é algo ruim. É algo bom que indica um estado de exaltação, poder e glória.
Isso também pode explicar o motivo de os cristãos da Alta Idade Média utilizarem o nome Lúcifer para batizarem os seus filhos. Não era uma exaltação ao diabo, mas era feito em homenagem, honra ou ainda exaltação ao Cristo.
Obviamente, não é uma escolha sábia nomear alguém de Lúcifer hoje em dia, muito menos se referir ao Senhor Jesus nesses termos. Mas não por causa da palavra em si, mas por conta do significado que passou a ter com a passagem do tempo. Se até o século IX fazer algo assim não seria um problema, hoje certamente é. Então, é melhor não fazermos isso.
O diabo foi chamado de Heylel, Lúcifer, ou apenas “estrela da manhã” em Isaías 14:12, porque antes de sua queda ele estava em um estado de exaltação entre os seres angelicais - e não necessariamente acima de todos eles -, era dotado de grande poder e envolvido pela glória do Senhor.
Mas perdeu completamente a possibilidade de ser chamado assim novamente, pois obscureceu seu coração e quis ser maior que Deus.
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