Sumário:
1. Quem foi Justino Martir?
2. Sobre Apologia I
3. Mas e o que pode ter acontecido com esse documento?
4. Qual a importância desse documento?
1. Quem foi Justino Martir?
Nascido por volta do ano 100 d.C., em Flávia Neápolis [Atual Nablus, uma importante cidade da Cisjordânia] e falecido em aproximadamente 165 d.C., em Roma, Itália, Justino foi um grande teólogo e apologista do século II.
Justino Martir [como é mais conhecido], antes de tornar-se cristão, envolveu-se com diversas filosofias gregas, como a platônica, estoica, peripatética e pitagórica. Aparentemente, converteu-se ao cristianismo por volta do ano 130 d.C. Suas principais obras foram Apologia I e Apologia II.
2. Sobre Apologia I
Em seu livro, Apologia I, Justino pretendeu defender as vítimas cristãs de incontáveis perseguições dos pagãos, onde também faz referência clara a certo documento conhecido na atualidade como Atas de Pilatos. O referido documento mencionado por Justino contem uma informação que corrobora para a veracidade da existência de Jesus:
"Transpassaram as minhas mãos e os meus pés' significava os cravos que na cruz transpassaram seus pés e mãos. E depois de crucificá-lo, aqueles que o crucificaram lançaram sorte sobre as suas roupas e as repartiram entre si. Que tudo isso aconteceu assim, podeis comprová-lo pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos." [1]
Infelizmente, tal documento não existe mais, então nenhum historiador moderno poderá ter a chance de colocar suas mãos nele e conferir palavra por palavra de tudo o que está escrito nele. Então, como podemos ter certeza de que tal documento realmente existiu?
O primeiro ponto a ser destacado é a ousadia de como fala Justino. Ele parece demonstrar total confiança naquilo que afirma. Entenda, sua obra foi destinada a ninguém menos que o imperador Romano Antonino Pio, o filho deste, Verísimo, que era filósofo, a Lúcio [descrito por Flávio Josefo, em sua obra, como “amante do saber”], filho natural de César e adotado por Pio, que também era filósofo, e também ao Senado romano, bem como a todo o povo.
Presumidamente, é de senso comum que ninguém falaria tão ousadamente com um imperador romano caso não estivesse bem certo de suas colocações; também não se arriscaria em mentir para filósofos, nem para o Senado. Em segundo, o modo como Justino se coloca demonstra que ele possivelmente teve acesso ao referido documento, pois que até mesmo desafia os seus destinatários a averiguarem tais informações; isso, para a história, possui um grande valor.
A não mais existência do referido documento também não pode se opor ao relato de Justino, pois, como já mencionado, Justino demonstra total confiança naquilo que afirma e qualquer um poderia desmenti-lo, mesmo naquela época, caso o documento fosse falso ou não contivesse aquilo que Justino afirmou que continha. Sua obra demonstra precisamente que Justino não estava munido de argumentos vazios e falsos. Se a não mais existência desse documento realmente fosse um problema, então poderíamos rejeitar facilmente as obras romanas de Tácito e de Suetônio, uma vez que as diversas fontes que usaram para escreverem suas obras não mais existem. Logo, uma vez que a não mais existência das fontes usadas por Tácito e Suetônio não geram embaraço na leitura de ambos, também não deve gerar na leitura de Justino.
A hipótese mais provável é que ele tenha sido destruído ainda durante o império. Na clássica obra intitulada "A Vida dos Doze Césares" [traduzida para o português pela editora Prestígio], Suêtonio indica que o imperador Vespasiano ordenou que se procurasse milhares de documentos que desapareceram de forma misteriosa. O próprio Senado romano possuía o mal costume de fazer sumirem diversos documentos, caso eles pudessem de alguma forma ser um estorvo para o Senado ou para o próprio império; nem mesmo documentos de imperadores estavam isentos disso.
4. Qual a importância desse documento?
Em resumo, se tratando de um documento oficial do governo romano, "Atos de Pilatos" constitui numa importante prova sobre a existência, crucificação e morte de Jesus.
REFERÊNCIA:
[1] MARTIR, Justino. Apologia I.35
[1] MARTIR, Justino. Apologia I.35
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