1. Relógio
Mecânico
O mundo moderno se
baseia na organização do tempo pelas horas, minutos e segundos, num processo
que teve origem na Idade Média. Na Europa, a invenção do primeiro relógio
mecânico é atribuída ao papa Silvestre II, por volta do ano 1000. O certo é que
a partir da virada do século X a invenção passou a ser produzida, copiada e
desenvolvida em novos projetos ao redor da Europa medieval. O uso cada vez mais
cotidiano desse tipo de mecanismo produziu um efeito irreversível no
comportamento social, por meio da organização da rotina diária através das
horas de relógio e não mais visíveis pelo tempo (épocas, estações, etc.).
2. A Prensa
1445 é tido como o
ano da invenção da Prensa de Johannes Gutenberg, alemão responsável pela
tecnologia. Até essa invenção, todo livro presente na Europa havia sido feito a
mão (manuscritos) e quase a totalidade das obras traduzidas e publicadas em série
tinha a mão dos monges copistas da Igreja Católica. A circulação de ideias
possibilitada pela a criação e popularização da máquina foi responsável pelo
Renascimento cultural que viria a extinguir o modelo de vida medieval.
3. A pólvora
O combinado químico
de enxofre, carvão e salitre (extraído por meio das fezes de animais, na época)
tornou-se combustível de guerra por volta do século XI no Oriente,
popularizando-se na China e Japão feudais, embora os chineses já a conhecessem
desde o século III. A Europa tem no alemão Berthold Schwarz a sua
redescoberta. Demorou a ser largamente utilizada como arma de fogo por conta da
dificuldade em produzir recipientes resistentes à combustão, ou seja, mais de
um século se passou para o desenvolvimento eficiente de armas que fizessem uso
da pólvora sem que explodissem sozinhas. Essa invenção mudou o equilíbrio das
forças e redesenhou completamente o modo dos povos lutarem, pois as distâncias,
precisão e potência atingidas por um projétil por meio de um canhão eram maiores
que as por um arco ou catapulta. Ainda hoje a pólvora é o dispositivo bélico
mais utilizado no mundo.
4. O Moinho de
vento
Os moinhos de água
já eram utilizados pelos gregos por volta do século II, na moagem de trigo para
farinha. Mas foi durante a Idade Média que se popularizou o engenhoso mecanismo
que usa a força da água, e posteriormente do vento, para realizar tarefas que
um humano não conseguiria, ou substituir o trabalho de várias pessoas. Foi uma
peça fundamental na produção alimentícia desse período e é utilizado até hoje
em vários locais da Europa. O mecanismo de captação energética da hélice,
princípio extraído do moinho de vento, é o responsável pela produção de energia
eólica nos dias de hoje, por exemplo.
5. A cafeteria
A primeira cafeteria
do mundo surgiu na Constantinopla otomana, já sob domínio do islamismo, em
1475. A bebida já era produzida em infusões, mas a torra do grão foi inaugurada
na Pérsia nessa época e, desde então, virou uma febre o estabelecimento de
locais para consumo do café feito como ainda é hoje. Esses locais se espalharam
por toda a Europa durante o século XVI em diante, tornando-se o balcão de
negócios preferido da nova classe social emergente: a burguesia. Pode-se
arriscar dizer que a cafeteria configurou no primeiro espaço público de debates
políticos, comerciais e culturais pós-Idade Média. O sucesso das cafeterias
refletia a rentabilidade do produto, que só viria a ser produzido no Brasil a
partir do século XVIII.
6. Os óculos
Desde o século I
já se havia descoberto a possibilidade de ampliar imagens pelo uso de pedras
semipreciosas. Em 1270 surgiram os primeiros modelos de óculos de uma lente só
(monóculos) e o Pince-Nez, modelo utilizado por cerca de 4 séculos, até a
invenção das hastes para segurá-los nas orelhas, que deram o formato que
perdura até os dias de hoje. A invenção dessa tecnologia permitiu um avanço
poderoso no desenvolvimento da ciência, por uma razão óbvia, há uma proporção
direta entre o desgaste da visão com a leitura e a pesquisa, portanto, os
homens mais dedicados às ciências eram os que mais cedo perdiam a capacidade de
enxergar bem. O desenvolvimento e popularização desse objeto permitiu que se
estendesse por mais tempo o período de produtividade das mentes mais empenhadas
em gerar conhecimento. Aperfeiçoando a manipulação do vidro e a produção de
lentes, o europeu chegou à criação de tecnologias como o telescópio, no século
XVII, por exemplo.
7. Livraria
Pública
A criação de
espaços públicos para consulta e leitura de livros foi o passo decisivo da
popularização dos saberes acumulados pelo homem ao longo da história. A
Biblioteca de Malatesta Novello em Cesena, Itália, é considerada a primeira
biblioteca pública no mundo. Inaugurado em 1452, o edifício era propriedade do
município da cidade e permitiu aos leitores fazerem uso livremente de sua
coleção. Como a Itália foi o berço do Renascimento cultural que viria a
transformar definitivamente o modo como se vive em sociedade, a extravagância
foi logo copiada em países como Inglaterra, Portugal, Espanha e Alemanha.
8. Arcobotantes
Quem leu o livro
de Ken Follet ou assistiu ao seriado baseado na obra “Pilares da Terra” sabe a
importância para a engenharia civil que significou o desenvolvimento na Itália
da técnica arquitetônica dos arcobotantes. A estrutura, que mais parece um esqueleto
externo da obra, permitiu a ampliação dos espaços de construção, tanto em
altura quanto em vão sem pilastras internas; uma das inovações
arquitetônicas associadas são as igrejas góticas do século XII. O arcobotante
permitiu aos edifícios terem tetos muito altos, paredes mais finas e janelas
maiores. As ideias por trás dessas inovações influenciariam projetos
arquitetônicos em tempos modernos e permitiriam a construção de edifícios
maiores e mais espaçosos, pois a invenção permitia a distribuição do peso das
paredes nos arcos externos.
9. O Astrolábio e
o Quadrante
Aqui estão os
precursores do GPS. Esses equipamentos aperfeiçoados durante a Idade Média
foram fundamentais para a expansão ultramarina que marcaria a revolução global
a partir do século XVI. Para se ter uma ideia, antes dessas ferramentas serem
aperfeiçoadas como instrumentos navais, a navegação era feita às cegas, tendo a
terra como referência de que os marinheiros estavam na direção correta. Basta
uma olhada em mapas da Alta Idade Média para perceber a difusa noção
territorial que os navegantes tinham. Por meio dessa invenção podia-se, também,
realizar medições complexas como a profundidade de um poço ou tamanho de uma
montanha ou edifício, sendo útil para a demarcação de terras, urbanismo e
grandes construções. Mas a principal revolução proporcionada pelo equipamento
foi expandir o horizonte de acesso do homem europeu, levando-o às Américas,
Oceania, Oriente.
Adaptado do
original por Gabriell Stevenson: 10 invenções
medievais que mudaram o mundo
Tags:
Idade Media
