Arbil,
Iraq, 17 Jan 2016 (AFP) - O pai do
pequeno Aylan, que se tornou símbolo da
tragédia dos refugiados sírios, disse neste sábado que chorou depois de ver a charge publicada pela
revista satírica "Charlie Hebdo" nesta semana.
"Quando
vi a charge, chorei", disse Abdullah Kurdi em conversa por telefone
com a agência de notícias AFP. "Minha família ainda está
abalada", completou.
Em um
comunicado, o pai de Aylan chamou o desenho de "desumano e imoral",
afirmando que era "tão mau quanto as ações dos criminosos de guerra e
terroristas" que causaram mortes e migrações em massa na Síria e em outros
países.
Aylan, de
3 anos, morreu afogado na travessia do mar Egeu entre Turquia e Grécia. Sua
imagem, morto na praia, rodou o mundo e provocou uma grande mobilização
internacional pelos refugiados que tentam chegar à Europa.
O irmão
de Aylan e sua mãe também morreram na tragédia.
Futuro
'apalpador de bundas'
Ocupando metade de uma página dupla do último número da
revista, a charge assinada
pelo editor Riss mostra um homem correndo atrás de uma mulher sob o seguinte
título: "Migrantes: no que teria se transformado o pequeno Aylan se
tivesse crescido?".
O próprio Riss responde, com a legenda "Apalpador de
bundas na Alemanha" (tradução livre de "Tripoteur de fesses en
Allemagne"), em uma referência às agressões
sexuais registradas neste país europeu na noite de Ano Novo. Segundo as
denúncias, a maioria dos suspeitos seria de refugiados.
A Alemanha foi o país europeu que acolheu o maior número de
refugiados sírios até agora.
A charge deflagrou duras críticas e revolta nas redes
sociais. Questionada pela AFP, em Paris, a revista não quis comentar a
polêmica.
Fonte: Notícias Uol
Tags:
notícia

