Sumário:
1. Introdução
2. A crucificação de
Osíris
3. A ressurreição de
Osíris
4. Títulos atribuídos
a Osíris
5. Osíris teve 12 discípulos?
5. Osíris teve 12 discípulos?
1. Introdução
A figura de Osíris tem sido utilizada por
alguns críticos/conspiracionistas na velha e frustrada tentativa de equalizar o
Senhor Jesus aos antigos mitos pagãos egípcios.
Em um post anterior, vimos que Hórus
não possui tantas semelhanças assim com o Senhor Jesus, como gostariam os
céticos. Mas desta vez vamos analisar um pouco mais profundamente alguns dos
novos argumentos que tem surgido na internet: Jesus é um plágio de Osíris?
2. A crucificação de Osíris
Existem comparações feitas entre Osíris e
Jesus até mesmo em livros cujo único objetivo é o desmerecimento do
cristianismo e as comparações forçadas entre o Senhor Jesus e mitos pagãos. E
uma dessas comparações diz respeito a sua suposta crucificação:
[...]
Osíris foi assassinado, seu corpo no caixão foi
lançado ao Nilo [...] O caixão, enquanto isso, foi levado até a costa síria, e
tornou-se milagrosamente alojado no tronco de uma árvore, de modo que Osíris,
como outros deuses sacrificados, poderia ser descrito como tendo sido “morto e
pendurado em uma árvore.” [1, p. 118]
Como pode ser lido, Arthur Weigall, autor do livro The Paganism in Our Christianity, descreve que o sarcófago de Osíris teria sido supostamente lançado ao Nilo e
ficado preso em um tronco de árvore. Mas isso pressupõe a ideia de crucificação,
como o autor sugere? Isso poderia ter inspirado crenças mais tardias, como o
cristianismo, a montarem a história da crucificação? Dificilmente.
Primeiro, porque a crucificação de Jesus é um fato histórico. Segundo, porque o autor sorrateiramente diz que o relato
“poderia ser descrito como tendo sido ‘morto e pendurado em uma árvore’.”
Poderia?! Por quem?! Pelos egípcios?! Se assim fosse, eles teriam dito, mas não
disseram. Então o que é isso senão mais uma comparação extremamente forçada por
parte dos conspiracionistas?
Até mesmo as palavras escolhidas por Weigall são
contraditórias à descrição do mito de Osíris, pois o seu sarcófago na verdade teria sido
alojado num árbusto de tamargueira enquanto boiava sobre as águas de Biblos, e não a um tronco. Depois tal árbusto teria milagrosamente se tornado numa árvore enorme da noite para o dia[2, p. 189]; o sarcófago então teria ficado preso e coberto pelas raízes da árvore que cresceu sobre o sarcófago[3], diminuindo ainda mais a comparação forçada com a crucificação de Jesus.
Para que Osíris tivesse sido “pendurado”, no sentido de crucificado, alguém precisaria tê-lo pendurado no tronco da árvore e ele mesmo precisaria estar fora do caixão.
Para que Osíris tivesse sido “pendurado”, no sentido de crucificado, alguém precisaria tê-lo pendurado no tronco da árvore e ele mesmo precisaria estar fora do caixão.
3. A ressurreição de Osíris
Muitas pessoas tem atribuído à Hórus a ressurreição de Osíris, seu pai, devido ao lixo de filme
Zeitgeist[4]; algo que está claramente errado.
Osíris era um dos deuses mais populares do
Egito, casado com Ísis e pai de Hórus. Era o deus da vegetação e da vida no
além, também associado à fertilidade, o que pode ser notado pela sua pele verde[5].
Osíris foi traído, morto e esquartejado por
seu irmão Seth que queria ocupar o seu lugar no trono real. O resto da história
é o relato de sua esposa Ísis juntando todos os pedaços de seu corpo, com a
exceção do pênis que foi substituído por um de argila[6], para que seu marido
pudesse “voltar à vida”.
Contudo, Osíris não “ressuscita para a vida”, por
assim dizer, pois ele permanece como o deus do mundo dos mortos, como um rei
morto. No Livro de Hades (The Book of Hades), traduzido pelo Dr. Lefébure,
encontramos a seguinte citação:
HORUS disse-lhes: [...] Poderosa é a palavra de meu
pai OSIRIS [...] que me gerou no Hades. [7, p. 127]
Ísis não conseguiu fazer com que seu marido de fato
possuísse vida plena novamente, então o deus egípcio Rá, fez do espírito de
Osíris o Senhor dos Mortos[8]; bem diferente daquilo que nos revela a Bíblia em
relação a Jesus. E após ele ter sido assassinado por seu irmão, Osíris sempre é
retratado como uma múmia; como pode ser visto nessas imagens abaixo:
De qualquer forma, o cristianismo nunca tomou
para si a ideia de que a ressurreição era algo particular de sua teologia. Os
que pensam, ou pensavam assim, apenas revelam quão infantis e bobos são seus
pensamentos quanto à ressurreição de Jesus, afirmando que ela não passa de um
plágio cristianizado.
O
conceito de ressurreição era amplamente conhecido por vários povos, incluindo
os gregos. A grande questão aqui é: se Cristo não
ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
(I Co 15. 14).
Como argumenta o grande arqueólogo brasileiro
Rodrigo Silva, que apresentava o programa Evidências na Tv Novo Tempo:
“[...] se
os escritores do Novo Testamento quisessem forçar as provas para levar as
pessoas a acreditarem na ressurreição, eles não apresentariam as mulheres como
sendo as primeiras testemunhas do evento. Testemunho de mulheres não tinham
valor jurídico algum. Ainda mais sendo Maria Madalena, uma ex-prostituta, a
primeira a divulgar o milagre. E mais, das teorias sobre o que acontece após a
morte, a ressurreição era a menos crida naqueles dias. Se os apóstolos
dissessem que a alma de Jesus subiu para o pleroma, ou para o mundo das ideias,
eles teriam o apoio inconteste dos seguidores de Sócrates e de Platão. Se
dissessem que ele morreu por completo, mas viveu vida integra, teriam o apoio
dos epicureus e dos estoicos. Se dissessem que Jesus reencarnou noutra pessoa,
teriam o apoio dos seguidores de Pitágoras e também dos praticantes da religião
egípcia e de um bom número de orientais que advogava a transmigração de almas.
Mas a ressurreição, esta era a menos simpáticas de todas as teorias. Poucos a
aceitavam. E sua pregação dificultava a penetração do Evangelho, tanto entre
judeus, quanto entre gentios. Tanto é que Paulo e sua mensagem foram muito bem
aceitos pelos filósofos de Atenas até que ele resolveu falar da ressurreição de
Jesus. [...] o assunto tornou-se desinteressante. Sobre isso desdenharam os
gregos: Te ouviremos noutra ocasião. [9, 23min]
Tal argumento demonstra que usar a ideia da
ressurreição como uma farsa para propagar o evangelho de Jesus Cristo e
torna-lo mais aceitável aos gentios, principalmente os egípcios, não se
sustenta. Se os apóstolos quisessem mesmo plagiar algum conto, deveriam então
plagiar as ideias da época, pois assim seriam mais bem aceitos.
E o que eles ganharam com essa “mentira”?
Perseguição, morte e tortura. Então, quanto tempo dura uma mentira? Quanto a
isso, Charles W. Colson[10] certa vez afirmou:
“Eu sei que a ressurreição é
um fato, e o Watergate provou-me isso. Como? Porque 12 homens testemunharam que
viram Jesus levantado de entre os mortos, e depois proclamaram essa verdade
durante 40 anos, nunca a negando. Todos eles foram espancados, torturados,
apedrejados e colocados na prisão. Eles não teriam suportado isso, caso não
fosse verdade. O Watergate envolveu 12 dos mais poderosos homens do mundo e
eles não foram capazes de manter a mentira nem por três semanas. Querem que eu
acredite que os 12 apóstolos puderam manter uma mentira durante 40 anos?
Absolutamente impossível.”[11]
Em outras palavras, há evidências históricas
que nos levam a acreditar que Jesus de fato ressuscitou dentre os mortos.
Continua... aqui!
Texto: Gabriell Stevenson
REFERÊNCIAS:
[1] WEIGALL, Arthur. The Paganism in Our
Christianity. <https://goo.gl/EILuZJ>
[2] BUDGE. E. A. Wallis. The Gods of The Egyptians. <https://goo.gl/kgzckU>
[2] BUDGE. E. A. Wallis. The Gods of The Egyptians. <https://goo.gl/kgzckU>
[3] Templo de Apolo. A Procura Pelo Corpo de Osíris. <http://goo.gl/03Hprw>
[4] Wikipédia. Zeitgeist. <https://goo.gl/HjaVC2>
[5] Wikipédia. Osíris. <https://goo.gl/PNkFp0>
[6] Templo de Apolo. A Morte de Osíris. <http://goo.gl/a9wdaA>
[7] Recods Of The Past, Vol. 10. The Book of hades, Cap. 11. <https://goo.gl/Z0QYmA>
[9] Youtube. A Ressurreição de Jesus Cristo
(Parte 1). <https://youtu.be/zmkPJ8ympbU?t=23m>
[10] Wikipédia. Charles W. Colson. <https://goo.gl/s1G0YC>
[11] Good Reads. Charles W. Colson. <http://goo.gl/MQkzKv>

