Transcrição parcial do vídeo:
Hey, Lions. What`s Up? De acordo com o dogma católico da Virgindade Perpétua de Maria, ela nunca teve outros filhos depois de Jesus, permanecendo virgem antes, durante e depois do parto, sem jamais praticar relações sexuais com José, seu próprio marido.
Afirmam que os irmãos de Jesus - que são mencionados várias vezes na bíblia - seriam, na verdade, seus primos ou, no máximo, filhos apenas de José que ele teve de um casamento anterior. (Mt 13:55; Mc 3:31,32; 6:3; Lc 8:19,20; Jo 2:12; Gl 1:19)
Mas esse dogma católico, na verdade, se baseia unicamente em tradições e textos apócrifos posteriores à morte de todos os apóstolos e se consolidou apenas a partir do século VII.
A fonte mais antiga que deu início a tradição da virgindade perpétua de Maria é um documento apócrifo e obscuro chamado “Livro de Tiago” ou, como é mais conhecido, “Protoevangelho de Tiago”.
Nele, está escrito que José já tinha filhos quando se casou com Maria e que ela nunca teve o seu hímen rompido, nem teve relações sexuais com José.
Porém, meus amigos, esse documento apócrifo foi produzido por volta do ano 150 d.C., no século II da era cristã, e não possui relação com qualquer Tiago mencionado na bíblia, uma vez que todos já estavam mortos.
Apenas isso já faz com que o “Protoevangelho de Tiago” não possua qualquer autoridade apostólica. Mas como se isso já não bastasse, esse documento apócrifo também possui erros históricos e culturais.
Só para citar alguns exemplos, ele menciona que homens sem filhos eram impedidos de dar ofertas no templo, o que é falso.
Também menciona águas amargas sendo dada a homens, algo direcionado apenas para mulheres (Nm 5:24).
E, estranhamente, ainda fala sobre garotinhas sendo deixadas no templo como se fosse uma espécie de convento judaico; algo sem qualquer respaldo na lei de Moisés ou na história e cultura do judaísmo antigo.
Em Mateus 12:46,47, por exemplo, a mãe de Jesus e os seus irmãos são mencionados. E nessa passagem, a palavra grega utilizada foi adelphos (αδελφος), que literalmente significa “irmão” e aparece mais de 300x no Novo Testamento sempre com o sentido de irmão.
Logo, dizer que a bíblia fala dos primos de Jesus e não dos seus irmãos, não é verdade!
Se Mateus ou qualquer outro autor bíblico quisesse falar dos primos de Jesus, teriam usado a palavra grega anepsios (ανεψιος) que literalmente significa primo.
Além disso, dizer que adelphos também pode ser traduzido por “primos” não possui qualquer registro na língua grega ou na narrativa completa do Novo Testamento. Sempre que adelphos é mencionado, não se fala de “primos”, mas de irmãos.
"Mas esses irmãos de Jesus não poderiam ser filhos apenas de José e não de Maria?" Impossível, pois de acordo com o Léxico Grego de Louw e Nida, da SBB, um dos melhores que temos em lingua portuguesa, adelphos se refere a “uma pessoa do sexo masculino que tem o mesmo pai e a mesma mãe da pessoa de referência”, ou seja, um “irmão”. (p. 108).
Logicamente, se Jesus é a pessoa de referência e aquelas pessoas eram seus irmãos, então Maria também era a mãe dos irmãos de Jesus.
Observe, ainda, que praticamente todas as vezes em que os irmãos de Jesus são mencionados, Maria também é mencionada junto a eles e é chamada de Máter (μητερ), deixando muito claro a relação familiar de um mãe e os seus filhos.
Até as profecias dizem que Maria teria outros filhos além de Jesus! Se você analisar adequadamente os textos de João 2:17; 7:5 e 15:25 verá que são o cumprimento do Salmo 69 que diz claramente no versículo 8 que o messias seria tratado como “um estranho para os” seus “irmãos e um desconhecido para os filhos da” sua “mãe”.
Ou seja, estava profetizado que o Messias teria irmãos e todos eles seriam filhos de Maria.
Continuando, de acordo com Gênesis 2:24, sempre foi o plano de Deus para o casamento que o marido e sua esposa se tornassem uma só carne, o que se faz, é claro, através do sexo.
E Gênesis 1:28 ainda inclui a multiplicação como propósito fundamental do matrimônio. De modo que apenas casais que são impedidos de gerar filhos estariam logicamente isentos disso.
Já em 1 Coríntios 7:3-5, podemos observar o apóstolo Paulo falando sobre os deveres de uma vida conjugal, o que inclui uma vida sexual ativa, sem que o homem tenha domínio sobre o seu próprio corpo, ou a mulher sobre o seu.
E não existe qualquer exceção a respeito de José e Maria sendo mencionada no Novo Testamento; nem por Jesus, nem pelos apóstolos.
Muito pelo contrário, Mateus 1:25 afirma que José não teve relações sexuais com Maria APENAS enquanto ela não deu à luz a Jesus, que inclusive é chamado de primogênito nessa passagem e não de unigênito.
Até o próprio anjo Gabriel disse para José, em sonho, que ele não deveria ter medo de receber Maria como sua mulher e receber alguém como mulher obviamente inclui o ato sexual.
Desse modo, se José e Maria jamais cumpriram seu papel de marido e mulher, então eles cometeram um grave pecado, agindo contra a verdadeira vontade de Deus claramente expressa nas Escrituras a respeito do casamento e do sexo.
Sim, Maria teve outros filhos depois de Jesus. Filhos que desprezavam seu irmão mais velho, não acreditavam nele e achavam que estava louco (Mc 3:21; Jo 7:5).
Muito provavelmente, esse desprezo gerou uma divisão familiar de modo que apenas Maria continuou seguindo o seu filho mais velho.
É por isso que, durante o momento de sua crucificação, Jesus precisou pedir para que o apóstolo João cuidasse de sua mãe, pois os seus irmãos não estavam por perto em sua hora mais obscura (Jo 19:26,27).
Todavia, esse quadro familiar é transformado posteriormente, como vemos em Atos 1:14, onde lemos sobre os irmãos de Jesus ao lado de sua mãe, o que indica que eles viram o irmão mais velho ressuscitado e creram nele.
