Líderes republicanos da Câmarados Estados Unidos anunciaram investigação da ONG pró-aborto PlannedParenthood, um dia depois de ativistas anti-aborto divulgarem um vídeo em que a
médica Deborah Nucatola, diretora principal de serviços médicos da Planned Parenthood,
explica como vende tecido fetal a “preços razoáveis”, enquanto almoça num
restaurante. O vídeo, divulgado pelo Centro para o Progresso Médico, foi feito
com câmera escondida, contou com dois atores que fingiram interesse na compra
de órgãos para pesquisa.
Segundo Deborah, os preços dos
tecidos e órgãos do bebês abortados variam entre US$ 30 e US$ 100, dependendo
do tipo. E que esses valores cobrados servem para bancar os custos com
preservação, transporte ou envio.
Afirma ainda que “vende tecidos
de fetos pós-parto e cadáveres, incluindo os fígados fetais e as células-tronco
do fígado". E que os fígados fetais são muito procurados, assim como
placentas, cordão umbilical, pele, tecidos e tumores doente. No vídeo, ela
ainda cita um informe no site de outra marca, a StemExpress, da Califórnia, que
se descreve como “a maior fornecedora de sangue materno e tecido fetal do
mundo”.
A notícia sobre a divulgação do
vídeo, que pode ser visto na íntegra no
canal do Centro para o Progresso Médico, foi publicada por vários meios de
comunicação dos EUA e os republicanos condenaram a atitude da ONG, já que é
ilegal a venda de peças fetais.
O grupo com sede na Califórnia
responsável pela captação das imagens, o Centro para o Progresso Médico, o fez
em parceria com outro grupo anti-aborto, o Live Action.
Um porta-voz da Planned
Parenthood, Eric Ferrero, disse por meio de comunicado, que a organização ajuda
os pacientes que querem doar tecidos para pesquisa científica e que o fazem
“como qualquer outro fornecedor de saúde, com consentimento completo do
paciente, sob os mais altos padrões éticos e legais e sem nenhum benefício
financeiro para o paciente e ou para ONG”.
Pesquisadores de universidades
com centros médicos que realizam abortos podem obter tecidos fetais, mas
empresas privadas também atuam como intermediários, vendendo para os
pesquisadores. O Instituto Nacional de Saúde dos EUA, por exemplo, gastou US$
76 milhões em 2014, em pesquisa envolvendo tecido fetal humano, e espera gastar
a mesma quantia este ano.
[...]
Arthur Caplan, diretor de ética
médica da NYU Langone Medical Center, afirmou que a prática descrita por
Deborah no vídeo é claramente antiética. Isso porque a diretora da ONG explica
no vídeo como é feito o procedimento com o objetivo de preservar os tecidos
fetais.
- Você não pode, não deve,
alterar a forma como ou quando se faz um aborto apenas para obter os tecidos
que quer. Basicamente, a única preocupação é a saúde e a segurança da mãe – opinou
Caplan, que acredita que a ONG deve ser investigada por peritos independentes e
não por candidatos a presidência do Congresso.
Fonte: O Globo
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