Sumário:
1. Introdução
2. As afirmações
3. Comentários
4. O que eles encontraram?
5. Evolucionistas estão céticos com relação a esse
oba-oba
6. Preservação em xisto?
7. Estase
8. Resumo
9. Adendo
1. Introdução
A ação subitamente orquestrada da
mídia sobre este fóssil équase inacreditável. Os paleontólogos convidaram até
Michael Bloomberg, prefeito de Nova Iorque, a comparecer ao
"lançamento" oficial de Ida (apelido bonitinho do fóssil), quando ele
fosse desvendado - como uma nova escultura de um artista famoso - à reunião de
jornalistas.
Poucos dias após a publicação do
artigo científico, eles anunciaram um livro (The Link), uma página na Internet
(The Link) dedicada à história, e um documentário pela Atlantic Productions
(The Link). Sir David Attenborough escreveu e narrou uma versão especial para a
BBC. [1]
Eles planejaram tudo isso para o
lançamento na imprensa em questão de dias antes da publicação do artigo. E tudo
isso visando o público leigo.
Attenborough disse: "Esta pequena
criatura vai nos mostrar nossa conexão com todos os outros mamíferos. O elo que
se dizia estar perdido... não está mais". [2] Mas note seu cuidadoso
discurso. Os leigos, incluindo muitos repórteres, ouviram "eles encontraram
o elo entre humanos e símios", mas Attenborough quis dizer um possível elo
entre primatas e o resto o reino animal. Essa abordagem ambígua parece ser
deliberada, e não só por Attenborough. A repetitiva ênfase "O Elo",
com toda a excitação publicitária, reforça isso. É o mesmo tipo de tática
desonesta que dizer, em um debate, que evolução significa mudança, mudança
ocorre nos organismos (por exemplo, a perda dos olhos em peixes de cavernas),
portanto a evolução (das moléculas à humanidade) é um fato.
E só para completar, neste "ano
de Darwin", eles nomearam a criatura em homenagem ao herói dos teus,
Charles Darwin: Darwinius
masillae. (Alguém deve estar pensando o que Charles Darwin diria agora, se
ele pudesse - veja Lucas 16.26-31). Como disse Richard Dawkins, Darwin permitiu
que ele se tornasse um "ateu intelectualmente satisfeito". Essa é a
razão de toda a excitação sobre Darwin, que parece ser a febre do momento,
neste "ano de Darwin".
Não acho que já tenha visto afirmações
tão espalhafatosas sobre um achado fóssil, e olha que já vi algumas, incluindo
a de um dos principais co-autores desse artigo: as declarações de Philip
Gingerich a respeito do Pakicetus, em 1983. Gingerich tinha alguns fragmentos
do crânio de um mamífero do Paquistão, e afirmou que aquilo era o precursor evolutivo das baleias. Ele embelezou a história
com uma reconstrução artística de como o Pakicetus (baleia do Paquistão) seria,
com pernas tornando-se nadadeiras, um cotoco de cauda se desenvolvendo e a
criatura imaginária mergulhando para caçar peixe. Bonitinho... Gingerich
afirmou que aquilo era "perfeitamente intermediário, um elo perdido entre
os primeiros mamíferos terrestres e as baleias completamente formadas".
Com uma afirmação assim tão forte e confiante vinda de um especialista, quem
poderia duvidar que a evolução era verdadeira? Sete anos depois, outros paleontólogos
publicaram um artigo descrevendo o restante do Pakicetus e, agora, o fóssil
quase completo mostrou que a imaginação de Gingerich realmente o deixou na mão
e o animal não era o elo perdido que ele esperava.
Aparentemente muitos paleontólogos
gostam desse gênero de comportamento publicitário "ultra-afobado" a
favor de um conto-de-fadas evolucionista, porque eles recentemente elegeram
Gingerich como presidente da American
Paleontological Association.
Gingerich comparou o achado de Ida à
descoberta arqueológica da Pedra de Roseta! Seus colaboradores neste artigo
juntaram-se alegremente à bagunça publicitária. Em uma entrevista televisionaa,
o co-autor Dr. Jorn Hurum disse: "É realmente muito difícil dizer
exatamente quem deu origem aos humanos naquela época, mas melhor que isso é
difícil". De acordo com o Science News, Hurum disse: "Este é o
primeiro elo de todos os humanos... realmente um fóssil que liga o mundo
todo". [2] E, também: "É o equivalente científico do Santo Graal. Este
fóssil provavelmente será aquele que estará nos livros didáticos pelos próximos
100 anos." [3]
Hurum tem uma reputação, na
Escandinávia, de aparecer frequentemente na televisão e rádio para promover
seus pontos de vista sobre evolução e paleontologia. [4] Na coletiva de imprensa
com os pesquisadores, um jornalista perguntou sobre a conveniência de todo o
barulho sobre uma suposta descoberta científica e Hurum diss ao The New York
Times: "Qualquer popstar faz a mesma coisa. Precisamos começar a pensar em
fazer isso em ciência."
Hurum também comparou o achado à
descoberta da "arca perdida da arqueologia" [5], enquanto que o
co-autor Jens Franzen exaltou-o como "a oitava maravilha do mundo".
[3] Caramba!
2. As afirmações
Um artigo no New York Daily News
resumiu as alegações da seguinte forma (a numeração é adição nossa) [3]:
1. "... o elo perdido há muito
procurado entre humanos e símios."
2. "... o fóssil da criatura
parecida com um lêmure apelidado Ida, mostra polegares opostos, como os
humanos, e unhas ao invés de garras."
3. "... pernas posteriores dão
evidência de mudanças evolutivas que levaram a primatas eretos - um
avanço notável que poderia finalmente confirmar a teoria da evolução de Charles
Darwin".
3. Comentários
Para ser justo, os paleontólogos na
verdade não disseram que ele era um elo entre humanos e símios, mas é
compreensível que os jornalistas tenham interpretado o que eles disseram desse
modo. [6] Eles estão dizendo que Ida deve lançar alguma luz sobre o que deve
ser a conexão entre o suposto ancestral evolutivo da humanidade, um primata, e
os não-primatas. O Dr. Jens Franzen disse na coletiva de imprensa, na
celebração de "lançamento", em Nova Iorque: "Não estamos lidando
com nossa tatara-tatara-tatara-avó, mas talvez com nossa tatara-tatara-tatara-tia-avó."
Note que aqui Franzen admite que a criatura não é um ancestral dos humanos,
então Ida não é um elo entre humanos e qualquer coisa, nem mesmo entre os
hipotéticos precursores dos primatas em geral.
Lêmures têm polegares (hálux) opostos,
e unhas ao invés de garras também, mas quase ninguém considerou que eles tenham
algo a ver com o ancestral do homem. Além disso, como outros primatas, mas não
os humanos, eles o têm nos seus pés, o que é bom para agarrar galhos, mas
dificulta bastante à postura ereta para andar.
Note o discurso cuidadoso. Os autores
imaginaram certas características que devem ser relevantes para se andar ereto
dez milhões de anos evolutivos atrás. Eu não encontrei nada no artigo publicado
que apoiasse essa conjectura. [7] E note que isso "poderia finalmente
confirmar a teoria da evolução de Charles Darwin". Ora, isso admite
tacitamente que a teoria ainda não foi confirmada, contrário a muitos outros
barulhentos achados fósseis que foram exibidos como "prova" da
evolução (a história da evolução humana tem sido uma história muito adaptável
e, sempre, mutante).
REFERÊNCIAS:
[2] Common
Ancestor of Humans, Modern Primates? “Extraordinary” Fossil Is 47 Million Years
Old, ScienceDaily, 19 May 2009. <http://goo.gl/vhdgH1>
[4] Meet
Jorn Hurum, The Man Who Found The Missing Link Or Ida, The 47 Million Year Old
Fossil. <http://goo.gl/9oC22b>
[6] Até mesmo o The
Scientist, que você deve achar que normalmente tomaria cuidado em não usar um
discurso’tão ambíguo, referiu-se ao Darwinius masillaecomo “nosso novo
ancestral primata de 47 milhões de anos”. <http://goo.gl/SLxdrK>
[7] No artigo do periódico, os autores descrevem a interface superficial do osso astrágalo com a fíbula (o osso da panturrilha) como sendo saturada. Eles afirmam que isso é uma característica da subordem de primatas que inclui macacos, chimpanzés e humanos (não apenas humanos). Eles também admitem que não há mamíferos não-primatas que tenham uma saturação angular semelhante (p.17-18).
[7] No artigo do periódico, os autores descrevem a interface superficial do osso astrágalo com a fíbula (o osso da panturrilha) como sendo saturada. Eles afirmam que isso é uma característica da subordem de primatas que inclui macacos, chimpanzés e humanos (não apenas humanos). Eles também admitem que não há mamíferos não-primatas que tenham uma saturação angular semelhante (p.17-18).
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evolucionismo
