6. O número 12 na cultura egípcia
É frequente a
comparação entre o que está escrito na Bíblia sobre a cultura judaico-cristã e
outras culturas e religiões. Uma delas, e talvez a principal, é a comparação
com o Egito Antigo.
O número doze era, de
fato, muito utilizado pelos egípcios para dividir o tempo. Por exemplo, os
egípcios usavam o número doze em sua agricultura para fixar o tempo de plantio
e colheita:
“A cada ciclo de tempo, a partir de
meados de julho, uma enchente acontecia. Durante umas doze luas, de julho a
setembro (ver Fig.34), ficava tudo inundado. Dava tempo para que os nutrientes
orgânicos, que vinham junto com as águas, se fixassem no solo. Depois disso o
rio voltava ao seu leito normal e não chovia mais.” [1, p. 27]
Após o
Nilo voltar ao seu tamanho normal, e a terra ficar fertilizada e adubada pelos
nutrientes orgânicos, os egípcios aproveitavam para começar seu plantio e
depois colheita. Mas observe que isso se deve ao fato de uma observação da
natureza e não ao número 12 ser “tão especial” para os egípcios que os levou a
escolher o tempo de 12 luas para praticarem sua agricultura.
Os anos
egípcios também eram baseados no número 12; eles tinham 12 meses ao todo, com
30 dias cada um, mais 5 dias especiais acrescidos para homenagear os deuses
Hórus, Seth, Ísis e Osíris. Mas tal divisão também não era baseado meramente em
sua religião, mas na observação das fases da lua e também no ciclo de cheias do
rio Nilo[2].
Se o povo hebreu aprendeu dos egípcios como dividir o ano, contar as estações e até
mesmo construir um mapa celeste, isso não constitui plágio, mas troca cultural
e científica; nada mais natural de se acontecer devido ao espaço de tempo em
que ficaram cativos no Egito; os hebreus inclusive sepultavam seus mortos
enrolando-os em muitas faixas devido à influência egípcia.
7. Os deuses egípcios
Indo mais
adiante, há quem diga que Hórus também é retratado como tendo 12 discípulos,
assim como Osíris, seu pai, e também o deus Rá. E geralmente usam pinturas nas
paredes para mostrarem isso, como essa abaixo:
[3, Plate
8.12]
Mas, como
pode ser lido na legenda da imagem, “...são mostrados adorando... doze deuses,
incluindo Osíris e Hórus...”[3, plate 8.12]. Ou seja, não são Hórus e 12
discípulos, nem Osíris e 12 discípulos, mas 12 deuses egípcios, incluindo os
próprios Hórus e Osíris; e nada indica que os outros 10 eram discípulos.
Até mesmo
o cortejo real dos faraós, que eram associados à Hórus[1, p.68], era formado
por 4 porta-estandartes chamados de “seguidores de Hórus”[1, p. 64], ou
seja, se Hórus teve seguidores, eles eram 4 e não 12.
Por
vezes, as doze horas da noite e as constelações do zodíaco também são chamadas
de deuses “ajudantes” de Osiris, de Hórus, e até de Rá:
“Os doze companheiros [de Osíris] deviam ser os doze signos do zodíaco...”[4,
p. 175]
“Os doze deuses podem ser rapidamente identificados com Mazzaroth, ou os
doze signos do Zodíaco, através do qual o sol passava todo ano.” [4, 99]
“Composições mortuárias pintadas nas paredes... descrevem a viagem de Rá
através das 12 horas da noite, e seu renascimento no seu final.”[3, p.245]
Alguns veem isso como sendo 12
discípulos, na mesma esfera de compreensão que se dá para os discípulos de
Jesus; até mesmo alguns egiptólogos entendem assim. Mas tudo não passa de
interpretação pessoal, pois também existem egiptólogos e historiadores que não
concordam com essas comparações.
Perceba que os autores mostram as
doze constelações e as doze horas da noite como sendo deuses ajudantes de
outros deuses diferentes e maiores. Ou seja, tais deuses não seriam
necessariamente discípulos, mas sim encarregados de ajudar os demais nas mais
variadas tarefas, como “ajudar o sol a nascer”.
Comentando o texto achado na tumba de
Seti/Sety/Sethos I sec. 13 AEC em Thebes, Budge comenta:
“à direita do barco de AFU-RA, e de frente pra ele, está HÓRUS, e os
doze deuses das horas, que protegiam a tumba de Osíris e ajudam RA em sua
jornada...”[6, p. 153].
Em outras palavras, o que se vê é que
as constelações é que guiam Hórus e não Hórus quem guia, instruí, ou ensina às
constelações. E mesmo que compreendamos tais deuses como sendo
discípulos (o que não são) somaria a eles o número dos 4 porta-estandartes,
totalizando 16; logo, Hórus não teria 4, nem 12 discípulos, mas 16.
Budge, em seu livro The
Gods of the Egyptians, também possui um capítulo (cap. 19) cujos subtítulos incluem: “Gods of the hours of the day”
[5, p. 294], “Gods of the hours of the night” [5, p. 294], “Gods and goddesses
of the twelve hours of the night” [5, p.300] e “Gods and goddesses
of the twelve hours of the day” [5, p.302]. Se são
doze horas da noite e doze horas do dia, somariam 24 “discípulos”(?!). Com mais
os 4 porta-estandartes, seriam 28(?!).
Vê-se que
toda essa interpretação feita pelos “conspiracionistas” não passa de mera especulação
mal fundamentada.
Mais a
frente, vamos ver algumas outras comparações feitas entre o “mito do plágio do
número 12”.
Continua... aqui!
Texto: Gabriell Stevenson
REFERÊNCIAS:
[1]
DOBERSTEIN, Arnoldo W. O Egito Antigo. <http://goo.gl/zQTxxY>
[2]
Wikipédia. Calendário Egípcio. <https://goo.gl/wzgHkz>
[3] BARD, Kathryn A.
An Introduction To The Archeology Of Ancient Egypt.
<http://goo.gl/Zio8ve>
[4] BONWIK, James.
Egyptian Belief and Modern Thought. <https://goo.gl/7UK629>
[5] BUDGE, E. A. Wallis, The Gods of the Egyptians. <http://goo.gl/sxRTeo>
[6] BUDGE, E. A. The Egyptian Heaven and Hell, Three Volumes Bound as One. <https://goo.gl/u3x6Jf>
[6] BUDGE, E. A. The Egyptian Heaven and Hell, Three Volumes Bound as One. <https://goo.gl/u3x6Jf>

