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6. Hórus foi crucificado?
Quanto a questão da crucificação de Hórus, não há nenhum relato egípcio, seja no livro dos mortos ou nos textos das pirâmides que comprove tal alegação. Porém alguns, na tentativa ridícula de querer comparar Hórus com Jesus, forçam uma comparação absurda entre a cruz romana e as imagens e representações de Hórus e Rá com suas asas abertas; como essa logo abaixo:
Muitas figuras divinas realmente são
retratadas com seus braços abertos ou semiabertos para mostrarem o seu
resplendor e glória, e às vezes o ato de abençoar um povo ou nação. Mas o fato de alguma imagem,
figura, escultura, etc., representar algo ou alguém com os braços, patas ou
asas abertas, não significa que isso seja uma clara alusão a qualquer cruz,
seja ou não romana, ou a crucificação de Jesus. Isso, no fim, seria mera
especulação.
No que diz respeito à imagem de Hórus ou Rá em
forma de falcão com suas asas abertas e pernas estiradas, mostrado na imagem
acima, é de se esperar que eles fossem retratados deste modo, pois a glória e
esplendor de um falcão se dão durante o seu voo:
Agora, a pergunta de um milhão de dólares:
quem já viu algum falcão voar de asas fechadas e patas retraídas? Quando ele
fecha suas asas, ele começa a cair, “mergulhar”, não a voar. É bem mais
provável que as asas estiradas de Hórus e de Rá sejam uma alusão direta ao voo do
falcão, pois este era o animal considerado sagrado que simbolizava o deus
egípcio Hórus, assim como a Rá.
É realmente querer “forçar a barra” comparar
uma imagem de um “falcão divino” de asas abertas com a cena do Senhor Jesus
crucificado.
A posição de braços abertos do Senhor Jesus
na cruz não tem nada haver com glória, mas com vergonha, desprezo e maldição
(Sl 22; Gl 3.13). E seria até impossível ele não estar de braços abertos, sendo
que qualquer cruz exige que o crucificado fique assim.
(Foto 1: Cruz em
formato de X; Foto 2: Cruz em formato de T)
Aquele que era crucificado ficava de braços
abertos possivelmente para mostrar sua fragilidade e expor ainda mais a sua
vergonha, sem poder “esconder-se”; eis aí mais um sentido de se estar com os
braços abertos.
7. O que significa “crucificar”?
O verbo “crucificar” significa,
literalmente, “pregar numa cruz”. E em um sentido figurado quer dizer
“Martirizar”, “Atormentar”, “Mortificar”[16]. Vem do latim crucifigere, uma junção de outras duas. Crux,
que significa “cruz”. E Figere, que
significa “prender”. Por tanto, Hórus nunca foi “CRUCIFICADO”.
8. Historicidade da crucificação de Jesus
Outro fator importante a ser levado em
consideração é a historicidade da crucificação do Senhor Jesus. Se este evento
tivesse sido realmente copiado de outros mitos pagãos, então sua historicidade
não seria real, mas pura invenção dos cristãos primitivos.
Existem ótimas bases para crermos que a
crucificação do Senhor Jesus foi um fato real na história da humanidade: os “Anais”, de Tácito; as “Atas de Pilatos”; a obra “The
Death of Pelegrine”, de Luciano de Samosata; a “Mishiná”; os 4 evangelhos; O
credo apostólico em I Coríntios 15.
Nos Anais de Tácito, vemos:
"Christus, o que deu
origem ao nome cristão, foi condenado à morte por Pôncio Pilatos, durante o
reinado de Tibério; mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa
irrompeu novamente, não apenas em toda a Judéia, onde o problema teve início,
mas também por toda a cidade de Roma."[17]
Sobre as Atas de Pilatos,
temos:
“Transpassaram as minhas
mãos e os meus pés' significava os cravos que na cruz transpassaram seus pés e
mãos. E depois de crucificá-lo, aqueles que o crucificaram lançaram sorte sobre
as suas roupas e as repartiram entre si. Que tudo isso aconteceu assim, podeis comprová-lo
pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos."[18]
Na obra The Death of
Pelegrine, encontramos:
“Os cristãos, como sabes,
adoram um homem até hoje – o personagem distinto que introduziu seus rituais
insólitos e foi crucificado por isso […]”[19]
Na Mishiná, está escrito:
"Na véspera da Páscoa
eles penduraram Yeshu [...] Mas ninguém veio em sua defesa e eles o penduraram
[...]”[20]
Quanto aos quatro evangelhos
e ao credo apostólico, podem ser conferidos em qualquer bíblia. E sabe-se que o
Novo Testamento que chegou até nós através dos tempos é extremamente confiável.
Enquanto que obras clássicas como
as de Platão, Heródoto e Aristófanes possuem de apenas 1 a 20 manuscritos
antigos, o Novo Testamento possui cerca de 5400 manuscritos em grego e mais de
8000 em latim, que remontam até mesmo do ano 117 d.C. Deste modo, podemos
facilmente comparar essas cópias feitas ao longo do tempo e determinar se
houveram ou não alterações após passada a época dos apóstolos[21]; e a cada ano
aumentam-se esses números de cópias.
Se compararmos todas as cópias
antigas, em grego e em latim, do Novo Testamento, veremos que existem
discrepâncias insignificantes que chegam a no máximo 1,0%. O pesquisador grego
A. T. Robertson até mesmo avaliou que essas dúvidas significam apenas uma milésima
parte de todo o texto neotestamentario. Segundo ele, o Novo Testamento é em
99.9% confiável[22].
Sir Frederick Kenyon complementa
essa informação afirmando que o número de manuscritos do Novo Testamento, de
traduções antigas e de citações feitas dele nos autores antigos da igreja, é
tão grande que é praticamente certo que o texto original de cada passagem
duvidosa esteja preservado, em uma ou outra destas autoridades antigas. Segundo
ele, isso não é possível de ser dito sobre nenhuma outra obra antiga[22].
Com tudo isso, concluímos que o
relato da crucificação do Senhor Jesus Cristo vem sendo propagado desde o
século I, a partir dos próprios apóstolos, e confirmado por historiadores,
apologistas e escritores ao longo dos séculos que se seguiram.
A confirmação da historicidade da
crucificação de Jesus confirma que tal evento não foi uma cópia de mitos
pagãos, nem mesmo inspirada em representações de “pombos divinos” de asas
abertas, pois ninguém em sã consciência morreria pendurado numa cruz só para “imitar”
qualquer mito que seja.
REFERÊNCIAS:
[16] Priberam. Crucificar. <https://goo.gl/JL6GqV>
[17] STROBEL, Lee. Em Defesa de Cristo, Vida,
p. 83-84, 2001. PDF
[18] MARTIR, Justino.
Apologia I.35. <http://goo.gl/hqFDHG>
[19] GEISLER, Norman.
Enciclopédia de Apologética, Vida, p.450, 2002. PDF
[20] GEISLER, Norman.
Enciclopédia de Apologética: Respostas aos críticos da fé cistã, Vida, p. 443,
2002. PDF
[21] BOCK, Darrel L. O Novo Testamento é
Digno de Confiança?, Bíblia de Estudo
Defesa da Fé, CPAD, p. 1527-1528, 2010
[22] GEISLER, Norman. A Bíblia Foi Copiada Com
Exatidão ao longo dos Séculos?, Bíblia
de Estudo Defesa da Fé, CPAD, p. 540-541, 2010



