1. Introdução
2. O nascimento
virginal
3. Hórus teve 12
discípulos?
4.
Hórus andou sobre as águas?
5.
O poder de apaziguar as tempestades
6. Hórus foi crucificado?
7. O que significa “crucificar”?
6. Hórus foi crucificado?
7. O que significa “crucificar”?
8.
Historicidade da crucificação de Jesus
9.
A questão da ressurreição
10.
Os títulos associados à Hórus e a tríade egípcia
1. Introdução
Todo ano é a mesma coisa. Desde o lançamento
do “filme” Zeitgeist, em 2007[1], os anticristãos e demais céticos compartilham
nas redes sociais imagens onde Jesus é comparado a diversos deuses pagãos, mas
principalmente ao deus egípcio Hórus.
Mas seria isso um fato consumado? Pode-se
realmente dizer que Hórus nasceu de uma virgem? Que teve 12 discípulos? Que
andou sobre as águas? Que foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia? Ou
tudo isso não passa de propaganda enganosa promovida por pessoas declaradamente
anti-cristãs, ou ateístas militantes desinformados, ou mesmo mal intencionados,
ou ainda por pessoas conspiracionistas? Vamos conferir.
2. O nascimento virginal
Segundo o mito original, após Osíris ter sido
morto por seu irmão Seth, e esquartejado em vários pedaços, sua esposa junta
todas as suas partes, menos o pênis, substituindo-o por um de argila. Depois
disso, repousa sobre o corpo morto do marido e engravida[2].
3. Hórus teve 12 discípulos?
O que primeiro temos de entender é o
significado dessas palavras: discípulo e apóstolo. Segundo a pesquisa no Google,
discípulo é “quem estuda, aluno,
aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos.”[3] Segundo o Wikipédia, apóstolo vem “do grego clássico [...] (apóstolos,
‘aquele que é mandado para longe’), é um mensageiro e embaixador.” [4]
Entendendo bem o significado destas palavras,
vamos prosseguir.
Como já visto em um post recentemente
publicado, não há provas de que Hórus teve 12 discípulos, no sentido
correto da palavra. Mas vamos rever isso novamente.
Por vezes, as doze
horas da noite e as constelações do zodíaco também são chamadas de deuses
“ajudantes” de Osiris, de Hórus, e até de Rá:
“Os doze
companheiros [de Osíris] deviam ser os doze signos do zodíaco...”[5, p. 175]
"Os doze deuses podem ser rapidamente identificados com Mazzaroth, ou os doze signos do Zodíaco, aravés do qual o sol passava todo ano."[5, p. 99]
“Composições mortuárias pintadas
nas paredes... descrevem a viagem de Rá através das 12 horas da noite, e seu
renascimento no seu final.” [6, p.245]
Alguns
veem isso como sendo 12 discípulos, na mesma esfera de compreensão que se dá
para os discípulos e apóstolos de Jesus. Mas tudo não passa de especulação e interpretação pessoal.
Perceba
que os autores mostram as doze constelações e as doze horas da noite como sendo
deuses ajudantes de outros deuses diferentes e maiores. Ou seja, tais deuses
não seriam necessariamente discípulos, mas sim encarregados de ajudar os demais
nas mais variadas tarefas, como “ajudar o sol a nascer”; tal função não possui
conexão com aquilo que se entende por discípulo ou apóstolo, seja no dicionário
ou na Bíblia.
Comentando
o texto achado na tumba de Seti/Sety/Sethos I sec. 13 AEC em Thebes, Budge
comenta:
“à direita do barco de AFU-RA, e de frente pra ele, está Hórus, e
os doze deuses das horas, que protegiam a tumba de Osíris e ajudam Rá em sua
jornada...”[7, p. 153].
Em
outras palavras, o que se vê é que as constelações é que guiam Hórus e Rá em suas próprias jornadas pelo céu e não
Hórus ou Rá quem guia, instrui, ou ensina qualquer coisa às constelações. E
mesmo que compreendamos tais deuses como sendo discípulos (o que não são)
somaria a eles o número dos 4 porta-estandartes chamados de “seguidores de
Hórus” que faziam parte do cortejo real dos faraós[8, p.64], totalizando 16;
logo, Hórus não teria 4, nem 12 discípulos, mas 16.
Budge, em seu
livro The Gods of the Egyptians, também possui um capítulo (cap. 19) cujos subtítulos
incluem: “Gods of the hours of the day” [9, p. 294], “Gods of the hours of
the night” [9, p. 294], “Gods and goddesses of the twelve hours of the night”
[9, p.300] e “Gods and goddesses of the twelve hours of the day” [9,
p.302].
Se são doze horas
da noite e doze horas do dia, somariam 24 “discípulos”(?!). Com mais os 4
porta-estandartes, seriam 28(?!). Vê-se que toda essa ideia sobre os 12
discípulos de Hórus não passa de mera especulação mal fundamentada.
REFERÊNCIAS:
[1] Wikipédia. Zeitgeist, o filme. <https://goo.gl/HjaVC2>
[2] Templo de Apolo. A Morte de Osíris. <http://goo.gl/a9wdaA>
[3] Google. Discípulo. <https://goo.gl/XV9IEc>
[2] Templo de Apolo. A Morte de Osíris. <http://goo.gl/a9wdaA>
[3] Google. Discípulo. <https://goo.gl/XV9IEc>
[4] Wikipédia. Apóstolo. <https://goo.gl/OQfMmv>
[5]
BONWIK, James. Egyptian Belief and Modern Thought. <https://goo.gl/7UK629>
[6]
BARD, Kathryn A. An Introduction To The Archeology Of Ancient Egypt. <http://goo.gl/Zio8ve>
[7] Budge, E. A. The Egyptian Heaven and Hell, Three Volumes Bound as One. <https://goo.gl/u3x6Jf>
[7] Budge, E. A. The Egyptian Heaven and Hell, Three Volumes Bound as One. <https://goo.gl/u3x6Jf>
[8] DOBERSTEIN, Arnoldo W. O
Egito Antigo. <http://goo.gl/zQTxxY>
[9] BUDGE,
E. A. Wallis, The Gods of the
Egyptians. <http://goo.gl/sxRTeo>
